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19/08/2010 11:27

Seminário 5 - Mídia e Poder: a construção da vontade coletiva (15 de dezembro de 2008)

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Foto: João Viana

Em seminário realizado quarta-feira (10/12), no Ipea, o ministro da Secretaria da Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, a presidente da Empresa Brasil de Telecomunicação (EBC), Tereza Cruvinel, e o diretor-presidente da Agência Dinheiro Vivo, Luís Nassif, apontaram que a mídia brasileira passa por uma crise de identidade.
 
E que as novas mídias - blogs, TV digital, comunicação interativa, comunicação móvel - vêm impondo mudanças nos tradicionais mass media e acelerando a democratização da informação no Brasil, que, por fatores de mercado e por força da ditadura militar (1964-1984), adotou um modelo concentrador.
 
O seminário "Mídia e Poder: a construção da vontade coletiva" foi organizado pela assessoria técnica da presidência do Ipea e integra o projeto Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro, proposto pelo instituto para apresentar até 2010 uma agenda de desenvolvimento brasileiro de longo prazo.
 
"Outros países têm leis que impedem a concentração brutal que vemos no Brasil e a propriedade cruzada", destacou Tereza Cruvinel. A propriedade cruzada acontece quando as empresas de comunicação, controladas no Brasil por pouquíssimas famílias, têm ao mesmo tempo rádio, TV, jornal e internet.
 
De acordo com o ministro Franklin Martins, a imprensa vê-se obrigada a ser transformar, pois o cidadão brasileiro, por meio da ascensão da internet e de outros instrumentos, tem tido acesso a vários tipos de informações e, com isso, tem tido a possibilidade de formar suas opiniões de outras maneiras e consumir outros produtos, além dos tradicionais de rádio, de TV ou impressos.
 
"A imprensa não tem esse poder todo que a sociedade pensa nem que ela [imprensa] imagina. É claro que é um agente social importante e uma influência muito forte. Mas o poder é da sociedade", disse o ministro sobre o suposto poder absoluto da imprensa ou o mito do quarto poder.
 
Para Martins, as novas mídias têm contribuído também na ainda inicial democratização da comunicação no Brasil. "Hoje não podemos mais falar daquele modelo clássico de formação de opinião como ondas em um lago, que se propagam do centro para as bordas", disse ele.
 
"Acho essa imagem do ministro muito feliz. O modelo hoje é caótico, um bombardeio de fontes de informação de todos os lados. E a internet multiplica isso", disse Luís Nassif.
 
"A eleição do presidente Lula é um exemplo", analisou Martins. "Os chamados grandes meios de comunicação martelaram contra quase que em uníssono. Mas a sociedade não deu ouvidos, foi lá e elegeu e reelegeu o presidente", apontou.
 
"Até os paranóicos tem inimigos, mas acho que é mais paranóia", disse Martins, arrancando risos da platéia.
 
Para Cruvinel, em alguns momentos a mídia parece acreditar que pode substituir a sociedade. "Vejam o caso do Bolsa Família", disse. "O governo lançou o programa debaixo de críticas, apanhou meses seguidos. Até que pesquisas nacionais e internacionais - inclusive do Ipea - começaram a mostrar que o programa funciona, que chega às famílias mais pobres, que tem um papel redistributivo importante no país."
 
"Aí as críticas diminuíram. Hoje já é um programa incorporado. Ninguém bate mais. Mas eu pergunto: veio algum jornalista dizer `eu estava errado`? Vocês leram algum artigo do pessoal que criticou dizendo `me enganei`? Eu não vi. Eu não li. Apesar da mídia, a sociedade percebeu primeiro.
 
"Diria ao Franklin [Martins] que sou um pouco mais paranóica", brincou a presidente da EBC também arrancando risos. 
 
Para Nassif, a partir dos anos 90, a imprensa brasileira optou por uma forma sensacionalista de divulgar informações. E a internet produz um processo educativo, pois permite que o cidadão interaja com a notícia, contribua com a notícia, quebrando o monopólio da empresa de comunicação e do jornalista. "Isso é um avanço, porque no blog aparecem os vários lados da notícia e muitas visões. Claro que sai muita besteira também, mas ainda defendo que o saldo é positivo", disse Nassif.
 
"A blogsfera é um mundo de possibilidades. Quem tiver mais informação e fizer as melhores análises vai receber audiência."
 
O seminário "Mídia e Poder: a construção da vontade coletiva" foi o quinto seminário do projeto "Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro".
 
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