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19/08/2010 12:12

Seminário 6 - Crise Econômica Internacional (17 de fevereiro de 2009)

 

Seminario6

Em meio à turbulência global causada pela instabilidade na economia dos Estados Unidos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) realizaram em Brasília (auditório do Ipea, no Setor Bancário Sul) o seminário "Crise Econômica Internacional".

Participaram do evento, Osvaldo Kacef, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal; o economista Alfredo Calcagno, da Divisão de Globalização e Estratégias de Desenvolvimento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad); a pesquisadora Janine Berg, do Departamento de Estratégias de Emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT); e o professor José Carlos Braga, diretor do Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais do Instituto de Economia da Unicamp.
 
A Cepal distribuiu um relatório sobre as reações à crise internacional dos governos de países da América Latina e Caribe no qual destacou que as medidas monetárias não eram suficientes e variavam de acordo com as condições de cada país da região.
 
Osvaldo Kacef afirmou que as obras de infraestrutura anunciadas pelo Brasil eram benéficas para o crescimento, e observou que o país estava em situação privilegiada em relação aos outros países latinoamericanos. "Na maioria dos países, faltam acordos políticos e processos licitatórios para executar essas obras", justificou. Kacef lembrou, ainda, que em alguns países o déficit público era enorme, pois as reservas internacionais vinham do capital especulativo aplicado em investimentos de curto prazo. "Além disso", concluiu , "estão diminuindo os recursos das remessas de trabalhadores que moram em países desenvolvidos, tão importantes para a economia da América Central e Caribe".
 
O representante da Unctad, Alfredo Calcagno, defendeu a queda na taxa de juros e a expansão dos mercados regionais como forma de combater a queda crescente de exportações para os países mais ricos. Questionado sobre as medidas anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, Calcagno disse que ainda era cedo para fazer críticas. "O bloco econômico da América Latina precisa se unir", defendeu.
 
Janine Berg, da OIT, alertou sobre os cuidados a serem tomados em relação à desoneração fiscal. "Certas políticas são importantes em determinadas etapas", ponderou, "numa situação de fragilidade econômica as políticas sociais devem ser priorizadas". Defensora de medidas que tivessem maior impacto na geração de emprego e de proteção social, ela ressaltou que o Brasil estava no caminho certo ao manter as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), especialmente as de infraestrutura, estratégicas para o desenvolvimento do País.
 
O Brasil, segundo Berg, ainda tinha potencial para construir uma resposta que fosse ambientalmente sustentável de geração de empregos "verdes". Ela exemplificou com dados dos EUA sobre as estimativas de investimento em economia verde que apontavam mais geração de emprego do que a desoneração de impostos: "18 x 14 empregos por US$ 1 milhão". Ou seja, para US$ 1 milhão investidos em verde, eram gerados 18 empregos, contra 14 gerados por US$ 1 milhão de desoneração fiscal.
 
Para reforçar sua defesa de políticas sociais, Janine Berg citou outro exemplo estadunidense de política pública, o seguro-desemprego: "O sistema de seguro-desemprego nos Estados Unidos é oito vezes mais efetivo para minimizar o impacto de uma recessão do que uma desoneração do imposto de renda".
 
O professor da Unicamp, José Carlos Braga, clamou por uma reforma profunda no sistema financeiro internacional. "Haverá uma reforma ou apenas alguns ajustes, dentro mesmo padrão?", questionou. Para ele, a máquina de crédito tinha de voltar a funcionar regulada.  "É preciso que os estados e seus bancos centrais impeçam a geração de riqueza em papel que não corresponde à realidade da produção", afirmou.
 
"Crise Econômica Internacional" foi o sexto seminário do projeto Perspectivas do Desenvolvimento Brasileiro do Ipea, iniciado em 2008.


Palestrantes

  • Osvaldo Kacef, diretor da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal.
  • Alfredo Calcagno, economista da Divisão de Globalização e Estratégias de Desenvolvimento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
  • Janine Berg, pesquisadora do Departamento de Estratégias de Emprego da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
  • José Carlos Braga, professor e diretor do Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais do Instituto de Economia da Unicamp.

Gráficos apresentados pelos palestrantes

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