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23/08/2010 12:03

Seminário 9: Crise como oportunidade (18 de agosto de 2009)

                                                                                              
Enquanto o mundo ainda se recupera da crise que explodiu em setembro de 2008, pensar em novos modelos de desenvolvimento tornou-se tarefa premente para os governos e a sociedade civil. Essa urgência permeou o seminário Crise como oportunidade, ocorrido na sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em Brasília, como parte do ciclo Perspectivas do Desenvolvimento. Participaram como palestrantes Ladislau Dowbor, professor de economia e administração da PUC-SP, Paul Singer, titular da Secretaria Nacional de Economia Solidária, ligada ao Ministério do Trabalho, e Silvio Caccia Bava, coordenador-executivo do Instituto Pólis e editor do Le Monde Diplomatique Brasil.
 
Diante de um auditório lotado, Singer afirmou que a crise proporcionou uma "grande oportunidade". "Todos os governos do mundo simplesmente jogaram fora os ensinamentos da ortodoxia neoliberal e tiraram Keynes da naftalina. Isso significa aumentar o gasto público e o crédito o máximo possível", disse. Segundo o secretário, o Brasil passou de maneira mais fácil pela turbulência por ter quase metade de seu sistema bancário nas mãos do governo federal.
 
Ladislau Dowbor cobrou a melhoria da governança do sistema para que todos consigam um mínimo de qualidade de vida. Dowbor apresentou um gráfico de megatendências sobre população, PIB, espécies em extinção, uso de água, entre outros itens, todos convergindo para uma escalada sem precedentes desde o começo do século passado. "Estamos destruindo o planeta por um sistema que beneficia um terço da população (...) Estruturalmente, estamos amarrados em um processo de desigualdade e destruição ambiental", declarou, lembrando que 82,7% da produção mundial é consumida por apenas 20% da humanidade.
 
Depois que Singer citou uma volta ao keynesianismo, Caccia Bava levantou dúvidas sobre a possibilidade de a crise erguer uma "social-democracia global", um retorno completo às premissas de Keynes. "Começo a achar que não, pois não vejo atores sociais pressionando por essas posições, por uma agenda mais aberta de alternativas políticas", afirmou. "Então, provavelmente, vamos continuar tendo uma sequência de crises, com mais concentração de poder no sistema financeiro." O seminário, das 15h às 18h, foi mediado pelo assessor da Presidência do Ipea Milko Matijascic e teve transmissão ao vivo pelo site do Instituto.
 
A ideia do evento no auditório do subsolo nasceu do projeto "Crise e Oportunidade", apoiado pelo Ipea e que tem como um dos coordenadores o professor Dowbor. O projeto envolve estudiosos no Brasil e no exterior que pensam alternativas para a crise numa perspectiva mais humanística, democrática e inclusiva.


Caderno com textos de referência do Seminário 9

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Palestrantes

 
 

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