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27/03/2018 11:10

Ipea promove debate sobre desigualdade de gênero no Brasil


A roda de conversa foi dividida em três temáticas: violência contra a mulher, trabalho doméstico remunerado e envelhecimento populacional

Para fechar o mês de março, a Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea promoveu o debate Vamos falar de gênero?, que reuniu, na quinta-feira (29), vários especialistas em torno de questões relevantes para a redução das desigualdades de gênero no Brasil. ­

Dentre os assuntos discutidos, destaca-se a violência contra a mulher, tema explorado pela professora de antropologia da Universidade de Brasília (UnB) Lia Zanotta Machado, pela assistente de programa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) Raíla Alves e pela secretária-adjunta de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, Aline Yamamato. O debate abordou características da violência contra a mulher e a eficácia da Lei Maria da Penha.

Trabalho doméstico
O segundo debate focou nos serviços domésticos remunerados no Brasil. “O trabalho doméstico é a síntese das desigualdades sociais de gênero e raça”, declarou Ana Carolina Querino, gerente de programas da ONU Mulheres. A profissão, exercida predominantemente por mulheres negras, é geradora de sexismo devido ao papel social atribuído ao perfil feminino de dona de casa, conforme explicou a gerente.

Para Ângela Maria Carneiro Araújo, professora doutora da Unicamp, o Brasil é um país escravista e a cultura atual traz resquícios desse período. “Vemos ainda o racismo estampado em nosso cotidiano. Além disso, a tradição de que a grande maioria das mulheres escravas serviam às casas se perpetua até hoje.”

Felizmente, segundo Araújo, o maior acesso à escolaridade está promovendo a redução do número de jovens ingressantes na carreira doméstica. “Os pais, que foram empregados, se esforçam para que os filhos estudem. Isso muda geracionalmente o grupo de pessoas neste mercado, que são mulheres entre 40 e 60 anos.”

Envelhecimento populacional
“Nos próximos 30 anos, de cada quatro brasileiros, um será idoso”, informou a médica geriatra e pesquisadora da Fiocruz Karla Giacomin, durante o terceiro debate do dia. Esse novo panorama desperta um outro tipo de desigualdade com a população idosa. Isso ocorre porque “o Estado não reconhece a velhice como uma questão social, mas como problema de cada um”, apontou.

De acordo com Giacomin, o fato de a velhice ainda ser vista como decadência, em vez de uma etapa natural da vida, deixa essa população negligenciada pela família e pelo Estado. No entanto, de acordo com o Estatuto do Idoso, a sociedade e o governo têm o dever de amparar o idoso em caso de necessidade.

Cabe o questionamento: onde vão parar nossos idosos? “O cuidado com esse grupo é fundamental e deveria ser trabalhado como um direito”, argumentou a coordenadora de Estudos e Pesquisas de Igualdade de Gênero, Raça e Gerações do Ipea, Ana Amélia Camarano.

 

 
 

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