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03/05/2018 14:00

Pesquisa analisa boas experiências de educação em regiões pouco desenvolvidas


Tripé "avaliação, bonificação e capacitação" é uma das explicações para o bom desempenho de municípios cearenses no Ideb

Assim como acontece com muitos indicadores socioeconômicos, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) espelham as desigualdades existentes no país - neste caso, relacionadas à educação. Ao analisar os dados desse índice, pesquisadores do Ipea decidiram investigar quais as razões para que, mesmo em contextos historicamente desfavorecidos, algumas escolas tenham apresentado experiências exitosas no que se refere ao desempenho dos seus alunos. Os resultados desse estudo estão no relatório Lições de Experiências Exitosas para Melhorar a Educação em Regiões com Baixos Índices de Desenvolvimento.

Para produzir a análise, os autores visitaram escolas do ensino fundamental no Ceará, no Distrito Federal e no Piauí. O destaque foi o Ceará, onde 37,2% dos municípios do já atingiram a meta do Plano Nacional de Educação para 2021 - dentro do Nordeste, o segundo colocado é Pernambuco, com apenas 4,4%. "Os bons desempenhos desses municípios cearenses chamam a atenção, subvertendo a estabelecida lógica de que a aprendizagem está diretamente associada às condições socioeconômicas do local", aponta a pesquisa.

Os autores explicam que essas exceções conseguem romper com a corrente transmissora do analfabetismo entre gerações de cidadãos de determinada localidade. Herton Araújo e Ana Codes, pesquisadores do Ipea e organizadores do estudo, explicam que o relatório concentrou-se sobretudo nos anos iniciais do ensino fundamental - por ser sustentáculo para as etapas subsequentes -, com a possibilidade de reprodução em outros entes federativos.

O relatório aponta que o sucesso da experiência cearense está ancorado em um sistema de colaboração federativa em que as políticas estaduais convergem e apoiam os municípios. Esse sistema é composto por políticas de avaliação, bonificação e capacitação, que funcionam de maneira articulada e se reforçam sinergicamente.

Avaliação
No quesito avaliação, a pesquisa cita o instrumento de gestão da aprendizagem chamado Mais PAIC, iniciativa do governo cearense e implementada pelo município de Sobral, que consiste em avaliações realizadas no início do ano letivo, com função diagnóstica. Com esse espaço de tempo, permite-se que os gestores escolares - professores, coordenadores pedagógicos e diretores - planejem suas ações para sanar as lacunas no aprendizado de cada estudante. "As informações colhidas permitem corrigir, a tempo, deficiências basais, comprometedoras ao pleno aprendizado do educando". À União, caberia a consolidação de sistemas estaduais de avaliação, em todas as Unidades da Federação.

Bonificação
O Ceará adota, como parte do orçamento estadual - reforçando o caráter colaborativo da proposta -, o programa Escola Nota 10. Premiam-se as 150 escolas com desempenhos mais altos e também as 150 com os mais baixos. Os bônus são divididos em duas partes: a primeira (75%, nos casos das 150 escolas com os maiores desempenhos, e 50%, nos dos menores); e a segunda, que é condicionada à melhoria dos resultados das 150 que tinham as menores notas. "Com isso, o estado consegue neutralizar o possível efeito deletério associado a políticas de bonificação: o de manter ou acirrar as desigualdades existentes, quando se premiam apenas os melhores resultados", explica a pesquisa.

Capacitação
Por fim, no quesito capacitação, embora haja no país estruturas e organizações voltadas para a formação e capacitação dos profissionais da educação, o estado cearense se diferencia no uso que se faz da capacitação, que é oferecida não apenas ao corpo docente, mas a todos os profissionais ligados à educação: elas são utilizadas como instrumentos que alinham as questões didático-pedagógicas com a estratégia mais abrangente da gestão por resultados, também consolidada sobre os pilares da avaliação e bonificação.

À União, cabe o papel de intensificar a participação das universidades federais na capacitação dos profissionais da educação, ensinando-os a utilizar a avaliação como instrumento cotidiano de trabalho.  Apoiar e valorizar os profissionais da educação são, portanto, apontados como aspectos primordiais para uma educação de qualidade. "A autonomia administrativa desses gestores escolares aparece como um ponto importante para o bom funcionamento do ambiente de aprendizagem", conclui o estudo.

Confira a íntegra do estudo Lições de Experiências Exitosas para Melhorar a Educação em Regiões com Baixos Índices de Desenvolvimento.

 
 

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