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07/08/2018 15:00

PIB agropecuário cresce em junho, mas deve encerrar 2018 com queda de 1%


Seção de Economia Agrícola da Carta de Conjuntura apontou impactos da paralisação dos caminhoneiros e da supersafra de 2017

O setor agropecuário brasileiro avançou 2,6% entre os meses de maio e junho. O resultado, no entanto, não foi suficiente para evitar a queda no segundo trimestre de 2018, que ficou em 1,9%. É o que mostra o Indicador Ipea de PIB Agropecuário, que compõe a seção Economia Agrícola da Carta de Conjuntura nº 40, divulgada nesta terça-feira, 7. O destaque positivo ficou por conta da lavoura, com alta de 2,2%, enquanto a pecuária avançou 1,9% ante o mês de maio.

Na comparação com o mesmo período de 2017, o segundo trimestre fechou em queda de 2,9%, explicada pelo comportamento dos componentes lavoura e pecuária, que recuaram 2,0% e 4,7%, respectivamente. “Esse desempenho já era esperado desde o início de ano, por conta de uma supersafra em 2017, que foi excepcional. Então, partimos de uma base de comparação alta”, explica o diretor-adjunto de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, Marco Cavalcanti. Para os próximos meses, espera-se uma contribuição positiva da pecuária para o PIB.

No entanto, para o ano de 2018, o PIB Agropecuário deve apresentar uma queda de 1%, de acordo com revisão da projeção feita pelo Ipea, com base nas estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o resultado da lavoura no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Esse resultado é explicado pelas quedas na lavoura (0,6%) e na pecuária (2,5%), enquanto o segmento “outros” deverá registar aumento de 0,7%.

A tendência dos preços agropecuários no segundo trimestre foi de continuidade e acentuação do movimento de alta devido à elevação das demandas externa e interna, adicionalmente à desvalorização do real frente ao dólar e à oferta relativamente mais restrita. A greve dos caminhoneiros impactou o setor, com efeito sobre o abastecimento e gerando uma demanda represada nos dias subsequentes.

“O setor ainda está passando por um processo de estabilização em relação à mudança nos fretes. Essas alterações têm um impacto diferente a depender do porte do produtor e da distância da produção para os centros de distribuição”, pontua Ana Cecília Kreter, uma das autoras do estudo. O diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro, enfatiza que "é possível haver impactos na inflação, mais perenes que os ocorridos por conta da greve".

A soja, que está em fase de comercialização, apesar de apresentar recuperação nos preços – crescimento de 13,2% no trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado –, não atingiu o volume negociado de 2017.

Considerando as estimativas realizadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP, o agronegócio teve um aumento esperado no volume de 3,2%, na variação interanual até o mês de março. Quanto aos preços, houve recuo de 7,6% entre janeiro a março de 2018. “Diante dessa desvalorização, estimamos uma queda anual de 4,7% no PIB-renda do agro. Mas a gente espera uma recuperação desses preços reais e que, com isso, a perda de renda não seja tão grande”, pontua Geraldo Barros, professor-titular e coordenador-científico do Cepea/Esalq.

Os dados foram divulgados durante o seminário Economia Agrícola, realizado na sede do Ipea, em Brasília. Estiveram presentes o diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, o professor-titular e coordenador-científico do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq) da USP, Geraldo Barros, o professor Leandro GIlio, também do Cepea/Esalq, a pesquisadora do Ipea Ana Cecília Kreter e o gerente do Censo Agropecuário do IBGE, Antônio Florido.

Exportações

As exportações registraram um aumento de 2,4% na comparação com o segundo trimestre de 2017. “O elevado preço do dólar acaba contribuindo para aumentar a competitividade do produto brasileiro no mercado internacional. O produto brasileiro entra com um valor mais baixo comparado com outros países”, explica Kreter.

Um destaque positivo foi o aumento de 61,9% nas exportações do milho em grãos frente a 2017, que ocorreu pela base de comparação baixa do último ano. A pesquisadora explica que, em 2016, o Brasil exportou bastante milho, com uma queda considerável em 2017. Já os destaques negativos ficam com o açúcar de cana bruto, com retração de 21,9%, e a carne de frango, com recuo de 10,7%. Em relação ao frango, Kreter lembra que “a continuidade do embargo pela Europa e a queda de vendas para Arábia Saudita, Japão e Kuwait explicam esse desempenho negativo”.

Confira a íntegra da Seção no blog da Carta de Conjuntura

 
 

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