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27/09/2018 12:29

Ipea projeta crescimento da economia de 1,6% em 2018 e 2,9% em 2019


Visão Geral da Conjuntura, divulgada nesta quinta, 27, alerta, porém, que superavit primário só em 2023, com reformas macrofiscais que possibilitem a contenção do crescimento dos gastos

Os primeiros indicadores do 3º trimestre apontam para a manutenção da recuperação, ainda que lenta e gradual, da atividade econômica. A previsão do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) segue positiva para 2018 (1,6%) e 2019 (2,9%), conforme a seção Visão Geral da Carta de Conjuntura, divulgada nesta quinta-feira, 27, pelo Instituto.

O documento traça um panorama do cenário econômico brasileiro, que sofre com o aumento da instabilidade no mercado financeiro. Apesar da recuperação, a ociosidade da capacidade produtiva – medida pelo Indicador Ipea de Hiato de Produto – se mantém elevada (3,7% no segundo trimestre). Além disso, o horizonte do mercado externo não se mostra muito favorável às economias emergentes, devido ao agravamento da guerra comercial e às altas esperadas para a taxa de juros dos Estados Unidos.

O trabalho do Grupo de Conjuntura do Instituto estima que o consumo das famílias deve crescer 1,2% no terceiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior. A previsão é de que o investimento apresente crescimento interanual de 2,9% e as exportações um aumento de 8,2% em termos interanuais. As importações devem subir 11% em relação ao 3º trimestre de 2017. Por setor, o crescimento projetado é de 2,4% na indústria, 1,5% nos serviços e 2,5% na agropecuária.

Em relação ao segundo trimestre, com ajuste sazonal, está prevista alta de 0,8% no consumo das famílias, 2,1% nos investimentos, 13,5% nas exportações e 10,4% nas importações. As projeções indicam, ainda, crescimento de 2,1% da indústria, 0,9% em serviços e 1,1% na agropecuária.

O ritmo de crescimento só não é mais intenso devido às incertezas que ainda pairam no país em relação ao desequilíbrio das contas públicas e adoção de medidas para destravar o investimento em capital produtivo e infraestrutura. A forte desvalorização cambial recente deve provocar alguma pressão inflacionária no final do ano e ao longo de 2019, mas a inflação segue controlada. A inflação acumulada em 2019 será próxima da meta do ano (4,2%a.a.), passando para 4% em 2020 e 3,75% em 2021.

A questão fiscal, no entanto, é o maior problema hoje no país e condiciona o cenário projetado para 2019, na avaliação do diretor de Estudos e Pesquisas Macroeconômicas do Ipea, José Ronaldo de Souza Jr. ”É imperativo que ocorram mudanças que tornem possível a contenção do crescimento dos gastos”, afirma. Considerando um cenário em que haja um comprometimento com o ajuste estrutural das contas públicas, o Ipea projeta uma retomada mais forte da economia em 2019 sem pressões inflacionárias significativas.

Atividade econômica
Os indicadores de atividade econômica apresentam instabilidade de resultados em 2018. A análise mensal indica alta de 4% na produção industrial em julho, na comparação com o mesmo período do ano passado. Frente a junho, foi registrado recuo de 0,2%. A previsão do Ipea para agosto é de avanço de 3,5% em relação ao mesmo mês de 2017 e de 0,9% na comparação com julho deste ano. O crescimento é puxado pelo potencial dos segmentos bens de capital e bens de consumo duráveis, o que faz o setor industrial ser um dos responsáveis pela melhora nos indicadores de mercado de trabalho ao longo de 2018.

Desempenho do varejo
Em julho, o varejo restrito apresentou a terceira queda consecutiva nas vendas, com recuo de 0,5%. O volume de vendas no comércio ampliado encolheu 0,4%, após crescimento de 2,5% em junho, indicando que o varejo ainda não retornou ao nível anterior à greve do transporte rodoviário de carga. Na comparação com o mesmo mês de 2017, a variação de julho foi negativa (-1%) pela primeira vez em 16 meses, mas o comércio ampliado segue crescendo em relação ao ano anterior (3%), embora a uma taxa bem inferior à que prevaleceu, em média, no período janeiro-abril (7,3%). Para agosto, o Ipea estima crescimento no varejo ampliado de 2,3% sobre julho e de 5% sobre agosto do ano passado.

Confira a íntegra do estudo no blog da Carta de Conjuntura.

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