As decisões de compra dos consumidores finlandeses começaram a acusar a influencia de sua percepção sobre a responsabilidade social das empresas, segundo um estudo do instituto internacional TNS Gallup. O cuidado com o meio ambiente e o bem-estar dos empregados aparecem como os fatores mais importantes na hora de avaliar a responsabilidade do comportamento corporativo, revela a pesquisa, encomendada pelo jornal Helsingin Sanomat, o mais importante da Finlândia.
Quase três quartos dos entrevistados (73%), todos maiores de 15 anos, mencionaram a preocupação com o meio ambiente e a proteção das fontes de trabalho com os dois pontos fundamentais para qualificar a responsabilidade social das empresas. Praticamente a metade dos consultados afirmou que essa avaliação sobre o comportamento das companhias tem um impacto direto em sua imagem e reputação, que pesa no momento de definir uma compra.
O compromisso social das empresas influi na decisão de comprar seus produtos, segundo 35% dos entrevistados, enquanto 75% reclamaram maior transparência sobre suas atividades. Além disso, quase a metade dos consultados (46%) afirmaram que as empresas devem ser responsáveis em suas operações no exterior, respeitando normas trabalhistas fundamentais, os direitos humanos e evitando empregar crianças. A empresa de produtos lácteos Valio foi colocada pelos entrevistados em primeiro lugar entre 10 companhias finlandesas mais comprometidas com um comportamento social responsável. A Nokia, gigante mundial da telefonia celular, aparece em quarto lugar.
Após a divulgação da pesquisa foi realizado um seminário sobre responsabilidade corporativa, do qual participaram mais de 500 líderes empresariais e ativistas finlandeses. A conferência, convocada em conjunto pelo Helsingin Sanomat e a organização de defesa de meninos e meninas Plan, foi parte de uma campanha de conscientização para que as empresas da Finlândia contribuam na luta contra a pobreza e outros problemas mundiais, disseram os organizadores. "As companhias de nosso país estão muito concentradas no crescimento, em ganhar posições nos mercados e em fazer melhores negócios. Tendem a esquecer o mundo que existe além delas", disse a diretora do Helsingin Sanomat, Reeetta Merilainen.
"Sua conscientização sobre a pobreza no mundo sempre chega depois, em uma segunda etapa, quando enriqueceram o suficiente para se converterem em atores de peso na sociedade. Aí se dão conta de que há temas nos quais podem exercer influencia", disse Merilainen. "Para um grupo que controla meios de comunicação, a principal responsabilidade social é divulgar os problemas do mundo, incluída a pobreza", acrescentou. Os cépticos consideram que este enfoque não funcionará se não existirem regulamentações de cumprimento obrigatório. "Os compromissos voluntários não ajudam. Até podem ser prejudiciais caso interfiram com as regulamentações legais de que necessitamos", disse Thomas Wallgren, professor de filosofia da Universidade de Helsinque.
Um gigante grupo de mídia como Sanoma Corporation, ao qual pertence o Helsingi Sanomat, "faria melhor chamando a atenção para a falta de consciência pública quanto à diferença fundamental entre corporações que regulam a si mesmas como melhor lhes parece e a aplicação democrática da lei", disse Wallgren. Por sua vez, Teivo Teivainen, professor de relações internacionais na Universidade de Helsinque, afirmou que a responsabilidade social apenas oferece uma maquiagem para os aspectos mais duros do capitalismo. Entretanto, prosseguiu, ajuda as pessoas a pensarem nas empresas em termos políticos. "Esta questão redefine um pouco o discurso e pode ser útil para identificar as grandes empresas como atores políticos capazes de promoverem uma mudança democrática, em lugar de vê-las exclusivamente em termos econômicos", afirmou.
O musico irlandês e ativista político Bob Geldof afirmou em sua intervenção no seminário que "a primeira responsabilidade moral de uma companhia é levar em conta os interesses de seus empregados, seus acionistas e seus clientes". Porém, acrescentou, também enfrentam a responsabilidade moral de investir nos países pobres. Uma boa razão para fazê-lo é a de recrutar talentos. "Devem ter valores e capacidade de atrair os jovens", disse. Geldof afirmou que as empresas ocidentais não fazem um bom trabalho para combater a pobreza na África. Ao contrário da China, não investem o suficiente. "O que vêem os chineses que nós não vemos? Onde estão nossos homens de negócios?", perguntou. Investir na África pode ser um bom negócio e também "o comportamento moral correto", concluiu Geldof.
Fonte: Envolverde, com base em matéria de Linus Atarah.
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