A importância dos relatórios de sustentabilidade cresce na medida em que públicos de interesses como colaboradores, comunidade, investidores e sociedade cobram cada vez mais das empresas um comportamento transparente e responsável. As diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI) têm sido reconhecidas internacionalmente como os princípios para um bom relatório e a garantia da qualidade das informações. Este ano, pela primeira vez, as diretrizes do G3 (como é chamada a 3º geração da GRI) ganham versão em português. O novo formato foi apresentado pela GRI e pelo Instituto Ethos a representantes de 300 empresas no auditório da Serasa, no dia 7 de dezembro último.
"As diretrizes da GRI são mais do que ferramentas necessárias para a elaboração de um bom relatório. Ela é a consolidação de um movimento, pois diferentes setores do mundo sentaram para conversar sobre sustentabilidade", afirma Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos.
O G3 foi construído por meio de um processo coletivo a partir da experiência acumulada pelas empresas que já respondem relatórios de sustentabilidade e de um processo de consulta de partes interessadas que contou com a participação de mais de quatro mil pessoas em todo mundo.
De um modo geral, a nova geração de diretrizes da GRI permite que a empresa analise seu desempenho como um todo. Para cada indicador, há um protocolo técnico que auxilia a empresa a entender o que é relevante ou não. O G3 também faz com que a empresa aperceba os limites de sua responsabilidade. Uma outra novidade é a seção de estratégias e análises que aponta riscos e as principais questões a serem tratadas. E, para que as informações sejam precisas, foi criado um teste para verificar se a empresa realmente entendeu cada indicador.
"Esta geração tem mais precisão para atingir o desempenho, enquanto a anterior, de 202, tinha foco na política", afirma Ernst Ligteringen, presidente da GRI. "Este é um momento de encarar os desafios em um novo patamar", continua.
A disseminação mundial de conhecimento será um dos grandes desafios para o G3 no próximo ano. Muitas vezes, as diretrizes da GRI são interpretadas de maneiras distintas pelos diferentes países. A GRI pretende contar com parceiros e associações de treinamento em diversas regiões para que suas diretrizes se aproximem da realidade de cada país e suas metodologias sejam encontradas em vários idiomas. Com isso, a GRI espera afirmar seu caráter internacional e compromisso com a diversidade.
G3 em exercício
Um grupo de 150 pessoas, entre representantes de empresas e consultores, participou da oficina da 3ª geração das diretrizes da GRI. Divididos em grupos, em mesas circulares, num grande auditório, os participantes da atividade foram convidados a refletir sobre a elaboração de um relatório de sustentabilidade, de acordo com as novas diretrizes, de uma pequena ou média empresa hipotética, levando em conta cinco etapas: preparação, engajamento, definição, monitoramento e reportagem do relatório em si, de acordo com quatro critérios de conteúdo (materialidade, inclusão das partes interessadas, contexto de sustentabilidade e abrangência) e outros seis de qualidade (equilíbrio, comparabilidade, exatidão, periodicidade, clareza e confiabilidade).
Os melhores relatórios do mundo
Mesmo com a importância que os relatórios de sustentabilidade representam, ainda é pequeno o número de empresas que divulgam e prestam contas sobre as suas atividades. A GRI, por exemplo, conta com apenas 1.700 empresas que seguem suas diretrizes.
No entanto, no dia anterior ao lançamento da versão em português da G3 no Brasil, a SustainAbility, consultoria em responsabilidade social e desenvolvimento sustentável com sede em Londres apresentou o Tomorrow?s Value - The Global Reporters 2006, ranking com as 50 empresas que melhor fazem seus balanços sociais, em um encontro na Natura, em Cajamar, na Grande São Paulo. Todas as empresas que entraram neste ranking usaram ou pelo menos fizeram menção às diretrizes da GRI.
O relatório foi apresentado por Judie Thorpe, conselheira sênior e líder do Programa de Economias Emergentes da SustainAbility, que também esteve presente no evento de lançamento da G3 em português. A lista dos melhores relatórios traz empresas como British Telecom, Unilever e Nike. A Natura e o Banco Real ABN AMRO são as duas brasileiras que fazem parte da lista dos melhores relatórios de sustentabilidade do mundo.
A conselheira afirmou que os relatórios têm evoluído muito em termos de qualidade. "Este ano, boa parte dos 50 relatórios atingiu cerca de 60% da média. É a primeira vez que isso acontece. Nos últimos anos, a média era 40%".
Para Judie, não existe uma fórmula para um bom balanço social. "Cada um tem sua particularidade. O importante é olhar para os assuntos relevantes e principais questões das empresas e mostrar como isso está ligado à estratégia, à governança, e aos riscos e oportunidades", disse a líder do Programa de Economias Emergentes da SustainAbility.
Transparência na elaboração foi outro ponto importante levantado por Mario Monzoni, coordenador do Centro de Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (CES-FGV/SP). "Uma boa maneira de fazer o relatório é deixar que os públicos interessados, como comunidade e público interno, por exemplo, participem do processo. Dessa forma, não há necessidade de uma auditoria no final".
Mario ressaltou ainda os desafios para os próximos anos. Devemos pensar em ferramentas que captem o que as empresas estão projetando para o futuro e fazer com que os relatórios apresentem as mesmas informações contidas nos questionários do Índice de Sustentabilidade Empresarial do Bovespa (ISE). "O público de interesse também deve ser capacitado para que passem a utilizar os relatórios com mais freqüência", concluiu o coordenador.
Fonte: Envolverde/ Instituto Ethos |