Deborah Iglesias*
O investimento social privado está crescendo no Brasil, a exemplo do que tradicionalmente ocorre nos países desenvolvidos, mas poucas organizações possuem a prática de avaliar se seus investimentos estão sendo bem aplicados e totalmente revertidos em favor das populações que se propõem a beneficiar. Muitos especialistas acreditam que avaliar o impacto econômico, social e de sustentabilidade do ponto de vista da eficácia das ações sociais é parte constitutiva importante, se não fundamental de um projeto. Penso que é essencial, para o avanço do Terceiro Setor.
A experiência brasileira nesse setor é vista como ampla e diversificada, mas considerada insuficiente, insatisfatória, cara e não adequada à realidade das empresas e organizações brasileiras. Existem diversas formas de avaliação, prestando-se a várias abordagens, principalmente quando se trata de projetos e programas sociais. No mundo são aproximadamente quarenta e quatro e o maior problema atual dos gestores é a escolha do modelo para implementação do monitoramento e elaboração de estratégias de investimentos sociais. O nível mínimo a ser atingido é o da transparência e honestidade nas atividades e na gestão dos recursos. Mas existe um nível essencial e difícil de ser atingido, que é o da efetividade das ações.
As Organizações, Institutos e Fundações têm dificuldade em avaliar os resultados e, entre as que realizam, pouco se sabe sobre como essas avaliações são desenvolvidas, qual a metodologia utilizada e qual a sua efetividade. A avaliação contemporânea é dinâmica, sistematizada, estratégica, promove o desenvolvimento humano, busca alinhar as ações das organizações à sua missão e por conseqüência atrai alianças e parcerias importantes para a sustentabilidade. A base conceitual de uma avaliação compreende quatro etapas: planejamento, implementação, análise de resultados, recomendações e sugestões.
Na primeira estuda-se a viabilidade, objetivos, indicadores e fontes de informações. Na segunda, seu desenho, metodologia e coleta de dados. A análise final prevê a interpretação de resultados tanto qualitativos quanto quantitativos. Os resultados alcançados na pesquisa avaliativa servem como instrumento fundamental de gestão e aperfeiçoamento das ações. Acredito que todas as organizações sejam capazes de desenvolver projetos e programas de forma sustentável, quando reconhecerem que não basta somente fazer o bem. É preciso mostrar à sociedade o que se está fazendo e como se está fazendo, de forma simples e sistematizada. Este deve ser o foco em qualquer modelo.
Outro desafio é o desenvolvimento de uma cultura, onde a avaliação não paire como auditoria, mas seja vista como uma importante ferramenta que possibilita a identificação de pontos fortes e fracos e a exposição de qualidades e limites dos projetos e programas antes, durante e depois de sua implantação. Existe um baixo entendimento acerca da necessidade de se pensar na avaliação, desde o planejamento da atividade social ou ambiental desenvolvida. A avaliação visa uma comparabilidade entre o planejado e o alcançado. Portanto, só pode corrigir dificuldades se for incorporada como instrumento de gestão acompanhando o projeto passo a passo. Neste sentido, para que as ações sejam efetivas e os programas obtenham pleno êxito, a avaliação deve ser entendida e valorizada pelos tomadores de decisões.
* Deborah Iglesias é diretora do Instituto Senso - Avaliação de Projetos e Programas Sociais.
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