Por Lílian de Macedo, Agência Brasil
Os empresários do Nordeste conseguiram equiparar os níveis de participação social de suas empresas privadas ao do Sudeste. Este é o resultado de um estudo divulgado (dia 6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o levantamento feito nas duas regiões - que detêm 70% dos empreendimentos brasileiros - as doações do empresariado nordestino passaram de 35% em 1999 para 74% em 2003. No Sudeste, elas passaram de 67% para 71% no mesmo período.
"O Nordeste está mais parecido com o Sudeste. Isso significa uma mudança de postura da sociedade local. É um novo ativismo, quer seja privado lucrativo ou não lucrativo no Nordeste", explica a coordenadora da pesquisa, Anna Maria Peliano.
De acordo com a pesquisadora, o estudo também revelou o engajamento empresarial nas ações do governo federal, como o programa Fome Zero. Os resultados apontam que 70% das empresas pesquisadas doaram alimentos para sua comunidade. "A fome voltou à mídia e possibilitou que os empresários voltassem seu olhar para a alimentação", conta.
Apesar do apoio às causas federais, Anna Peliano argumenta que os empresários das duas regiões são incisivos ao afirmar que o governo é o responsável pelas ações sociais. "Eles realizam o que é uma obrigação do Estado. Eles não se acham co-responsáveis. Apenas compensam a ineficiência estatal", argumenta.
E ao contrário do que a lógica capitalista determina, o objetivo dos empresários não é atrair novos clientes - e lucros - com suas doações. Mas, sim, fazer a política da boa vizinhança. "Eles não querem associar ações sociais com questões políticas e partidárias. Desejam, sim, intensificar as relações com a comunidade", explica.
Apesar do aumento das doações, a porcentagem deste item no Produto Interno Bruto (PIB) do Sudeste diminuiu e do Nordeste foi menor que o estipulado. A primeira passou de 0,61% para 0,35%. Já a segunda saiu de 0,19% para 0,24%. "Pode-se supor que a retração financeira do Sudeste e o desempenho mais modesto das empresas do Nordeste sejam resultado das dificuldades econômicas pelas quais o país passou em 2003, ano da estagnação da produção nacional", sintetiza.
Ou seja, a caridade segue a regra: quanto mais prósperos os negócios, mais verbas são destinadas para o social. E vice-versa.
Fonte: Agência Brasil
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