O crescimento da participação das empresas nordestinas é o destaque da segunda edição da Pesquisa Ação Social das Empresas, realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Em 2003, o empresariado da região destinou cerca de R$ 505 milhões ao atendimento de comunidades carentes, valor que corresponde a aproximadamente 0,24% do PIB da região, para o mesmo ano. Na primeira edição (1999),o volume de recursos empregados correspondia a 0,19% do PIB regional.
"Ficamos surpreendidos com as mudanças observadas na ação social no Nordeste. O percentual de empresas que declara realizar algum tipo de ação social para as comunidades aumentou em 35%, entre os anos de 1999 e 2003, passando de 55% para 74%", diz Anna Maria Peliano, diretora de Estudos Sociais do IPEA e coordenadora-geral da Pesquisa. Sem pretender estabelecer um ranking da atuação social das empresas por estados, a pesquisa confirma que a liderança do investimento privado na região permanece com a Bahia (76%). Houve, também, um expressivo crescimento das empresas cearenses e pernambucanas. Em 1999, 45% de todo o setor empresarial do Ceará realizava ações sociais; em 2003, este percentual elevou-se para 74%, o que corresponde a um aumento de 64%, cerca de duas vezes maior do que o observado para a região Nordeste como um todo. Em Pernambuco, este crescimento foi da ordem de 55%.
Nesta edição da pesquisa, verificou-se que as empresas do Nordeste têm intenção de expandir sua atividade social e buscou-se descobrir, em caráter inédito, o que levaria aquelas que declararam nada ter feito para as comunidades, em 2003, passarem a atuar no social. Os dados sugerem que ainda há espaço para o crescimento da atuação empresarial dos atuais 74% para um percentual superior a 95%.
Voltadas prioritariamente para atividades de alimentação (45%) e de assistência social (38%), as empresas nordestinas passaram a investir mais em educação (28%) e saúde (21%). A criança é o público prioritário para a ação social para mais da metade das empresas da região (55%), mas outros grupos passaram a receber maior atenção, como os idosos (33%), os jovens (27%), as pessoas com deficiência (21%) e os portadores de doenças graves (23%).
O motor do envolvimento privado ainda é humanitário (51%). Há, contudo, um crescimento expressivo da proporção de empresas que são levadas a atuar por demandas da comunidade (33%), por motivos religiosos (31%) ou, ainda, respondendo a apelos de campanhas públicas (23%). Atuar no social fornece satisfação pessoal e espiritual aos empresários (58%). Entre os resultados, cresce a percepção de melhoria nas condições de vida na comunidade (51%).
A pesquisa revela que cresceu o percentual de empresas que optou por fazer doações de recursos para entidades que executam projetos sociais, de 21% para 71%, e que reduziu a prática de doações de recursos realizadas diretamente para pessoas ou comunidades carentes (de 82% para 55% das empresas).
Ao analisar a relevância dos dados levantados, o presidente do Instituto, Glauco Arbix, afirma que "com a realização da Pesquisa Ação Social das Empresas, o IPEA traz à sociedade e ao governo importantes subsídios para refletir sobre as parcerias público/privadas no campo social". |