Após um ano de pesquisas, foi lançado, no segundo semestre de 2007, o 'Compêndio para Sustentabilidade - Ferramentas de Gestão de Responsabilidade Socioambiental: Uma Contribuição para o Desenvolvimento Sustentável', idealizado e organizado por Anne Louette, coordenadora do Instituto AntaKarana. O objetivo é disponibilizar ferramentas de gestão às organizações dos setores público e privado e organizações não-governamentais (ONGs) que desejem avançar na implementação da sustentabilidade em seu dia-a-dia.
Com patrocínio da Petrobras, Comgas e patrocínio cultural de Anglo American (versão em inglês), AES Tietê, e da Lei de Incentivo à Cultura - Ministério da Cultura, a publicação reúne ferramentas de apoio à gestão sustentável utilizadas em 33 países, ilustrando a diversidade de instrumentos disponíveis no mundo. "Se quisermos orientar o desenvolvimento sustentável para o bem-estar comum na sociedade, devemos utilizar os instrumentos disponíveis que auxiliem na construção desses resultados. Quanto mais estas ferramentas forem aplicadas e aprimoradas, mais as organizações terão condições de integrar as práticas de responsabilidade socioambiental às suas atividades cotidianas", destaca Anne Louette.
Mudanças
Para a idealizadora do Compêndio, mesmo com grandes problemas sociais, o Brasil vem avançando bem na área. Mas, com as ferramentas adequadas - que considerem os pilares econômico, ambiental e social de forma sustentável - tem potencial para se destacar no mundo. Ela demonstra especial preocupação com o pilar econômico. "A empresa não pode estar preocupada apenas com o lucro imediato. Nesse campo, é preciso rever o processo produtivo", destaca. Pelo lado da sociedade civil, há necessidade de rever os padrões de consumo atuais. "Isso não significa deixar de consumir, mas consumir diferente", explica.
Sem esses avanços, na opinião da administradora, não haverá resultado. "Precisamos de mais gestores visionários, que enxerguem que, sem sustentabilidade, terão problemas no futuro. Ainda temos empresários não suficientemente lúcidos para entender que a sustentabilidade é um bom negócio para todos", resume. Anne toma como exemplo desse tipo de comportamento a China, que vem crescendo vertiginosamente, mas às custas de muita poluição, "caminhando para um sucesso de curto prazo", acrescenta.
Em outubro de 2007, antes do lançamento no Brasil, o Compêndio para a Sustentabilidade foi apresentado no Fórum Mundial da Economia Responsável, em Paris, por Philippe Vasseur, ex-ministro do governo Jacques Chirac. Segundo Anne Louette, ele foi considerado uma ferramenta de apoio bem-estruturada e de grande utilidade para as organizações, que podem utilizá-lo para orientar suas decisões em prol do desenvolvimento sustentável.
As ferramentas apresentadas no Compêndio atendem às necessidades das organizações em diversas etapas de gestão, contribuindo para processos de aprendizagem, auto-avaliação, prestação de contas e incorporação de princípios de responsabilidade socioambiental nas atividades. O levantamento também revela a diversidade e a convergência existente nas várias ferramentas desenvolvidas por centros de pesquisa e organizações ainda pouco divulgadas no Brasil, servindo de parâmetro para análise do que está acontecendo ao redor do mundo quando o assunto é a sustentabilidade.
O Compêndio foi concebido para estar em processo constante de atualização. No site www.institutoatkwhh.org.br/compendio, os usuários cadastrados e as próprias organizações que criaram as ferramentas poderão inserir novas informações, sugerir mudanças, compartilhar dúvidas, soluções ou experiências bem-sucedidas.
A publicação 'Gestão do Conhecimento - Compêndio para Sustentabilidade: Ferramentas de Gestão de Responsabilidade Socioambiental' traz informações de uma variedade de fontes públicas, com citação das referências, sendo as fontes procuradas para a aprovação da divulgação ainda na fase de elaboração.
O levantamento procurou manter a integridade das informações e respeitar a forma pela qual o seu conteúdo é apresentado por seus mentores, de modo a trazer ao leitor um retrato fiel de como as ferramentas foram concebidas e com qual finalidade são utilizadas.
Para o caso de alguma informação ter sido atribuída de forma incorreta, ou que possa ser enriquecida com dados e comentários úteis, a obra está aberta a mudanças. Também é permitida a reprodução do seu conteúdo, desde que citada a fonte correspondente ao texto reproduzido.
O levantamento revela uma diversidade e convergência entre as várias ferramentas desenvolvidas por centros de pesquisa e organizações, ainda pouco divulgadas no Brasil, e serve de parâmetro para análise do que está acontecendo num mundo.
Destaques
O Compêndio faz diversos destaques em relação à avaliação das ferramentas aplicadas. Entre eles, distingue o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a 'Pegada Ecológica'.
O IDH é uma medida indicativa (e não exaustiva) do desenvolvimento humano, criada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em 1990. Integra o nível de vida (PNB/capita), a expectativa de vida e o nível de instrução e acessos ao conhecimento (alfabetização dos adultos e escolarização das crianças). Um objetivo de IDH de 0,8 foi fixado pelas Nações Unidas, permitindo avaliar a sustentabilidade social e econômica.
A Pegada Ecológica', por sua vez, mede a superfície necessária para produzir os recursos consumidos pela população, bem como, para absorver os desperdícios que produz. A superfície produtiva da Terra disponível para o desenvolvimento é de 11,4 mil milhões de hectares, ou seja, em média 1,9 hectare/habitante. Era em 1999 de 2,3 hectare, ou seja, 20% acima. Essa é uma maneira de avaliar a sustentabilidade ambiental.
O Compêndio também destaca diversas normas, que não se resumem à padronização de procedimentos, mas que propiciam uma ampla reflexão a respeito das ferramentas de gestão a serem utilizadas para garantir o planejamento da evolução sustentável, implicando, sobretudo, a mobilização. Entre as normas que são publicadas por mecanismos oficiais de normatização, está a ISO 14000 (Sistema de Gestão Ambiental).
Fonte: Diário do Nordeste |