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Especialistas fazem balanço do investimento social na América Latina

Em que estágio o investimento social privado se encontra na América Latina e quais são as perspectivas futuras, principalmente no que tange a um trabalho entre os países que a compõe? Mais do que isso, o que as lideranças da área social identificam como oportunidades, ameaças, forças e fraquezas no setor. Essas foram algumas das  pautas de discussão do Fórum de Lideranças, promovido, em setembro, pelo Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) e pelo Charities Aid Foundation (CAF), em São Paulo. Com apoio do Gife, o evento promoveu uma reflexão sobre as práticas realizadas atualmente, buscando apontar novos rumos para a filantropia latino-americana e seus maiores desafios.

Em um primeiro momento, 32 lideranças sociais analisaram o contexto no qual estão inseridas, buscando aspectos positivos e negativos do setor. "O que se vê é uma consciência dos latino-americanos sobre a importância do investimento social privado. Pela sociedade, que demanda mais resultados; e pelos investidores, que começam a atacar mais as causas dos problemas sociais do que seus efeitos e a trabalhar de forma intersetorial", argumentou o diretor da Fundação Empresários pela Educação, o sociólogo Guillermo Carvajalino, do México.

No entanto, as forças identificadas pelo grupo são contrabalançadas por fraquezas diagnosticadas durante as discussões. Segundo a coordenadora da Cátedra Unesco-Instituto Ayrton Senna de Educação e Desenvolvimento Humano Margareth Goldenberg, ainda prevalece o que se chama de "corporativismo institucional". Isto é, a pouca disposição dos grandes investidores sociais do setor privado em trabalhar em rede, sobrepondo e pulverizando projetos sociais.

"Grande parte das organizações investidoras apóia os próprios projetos. Não há clareza sobre quão favorável é trabalhar em rede, porque não há uma cultura de parcerias e de colaboração. Além disso, existe uma dificuldade de pensar o investimento com sustentabilidade. Para uma empresa, um ano de doação pode ser muito, mas é insuficiente para o desenvolvimento de uma ação social. São timings distintos", argumentou a psicopedagoga.

Entre as oportunidades apontadas pelo grupo de líderes, a conscientização de que projetos sérios devem incorporar uma visão sistêmica em seu planejamento foi destaque. "Existe uma necessidade crescente de promover trabalhos amplos, sem focar apenas uma visão local. Os problemas colombianos são similares aos de outros países latino-americanos, e suas soluções devem ser conjuntas", afirmou o presidente do conselho administrativo da Fundação Carvajal Manuel Carvajal, na Colômbia.

Interação entre os três setores

Outro ponto considerado como oportunidade foi a maior possibilidade de interação entre o primeiro, segundo e terceiro setores. "Atualmente, existe mais abertura para essa relação", acredita o colombiano. Para Carvajal, isso significa mais espaço para parcerias e projetos mais bem articulados.

No entanto, essa interação intersetorial leva a ameaças. "Há uma confusão sobre quais são as fronteiras de atuação do setor privado e das organizações sociais no que diz respeito à responsabilidade do Estado", criticou a gerente de projetos da Fundação Empresas Polar Alicia Pimentel, da Venezuela.

Para especialistas, como Alicia, trata-se de uma zona cinzenta em que não é definido até que ponto o terceiro setor pode avançar, sem assumir um papel que não lhe cabe. "É preciso ter claro os espaços de cada um, principalmente quando falamos em trabalhos intersetoriais", afirma.

Nesse contexto, o coordenador de investimento social da Associação Los Andes de Cajamarca Flavio Flores, do Peru, é enfático: grande parte dessa confusão de papéis deve-se à instabilidade política e governos populistas. "A má administração pública é um dos grandes entraves para o investimento social privado, como também para o desenvolvimento do país. Governos populistas trazem atraso, pois reforçam a idéia assistencialista", critica.

Ao ser questionado sobre a pressão popular para mudar essa situação, o procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios José Eduardo Sabo não é nada otimista. Na visão dele, não existe uma consciência social sobre investimento social. "Falam de responsabilidade social corporativa, mas não da individual. Não há participação efetiva da sociedade civil em desenvolver o terceiro setor, no que diz respeito a financiamento. O governo sequer estimula isso", alegou.

De acordo com o diretor-presidente do Idis Marcos Kisil, o desafio é transformar qualquer motivação em compromisso permanente. "O fundamental é ter foco nas doações domésticas (de investidores nacionais) para um desenvolvimento justo, inovador, estratégico e transformador do país. Nessa questão, todos têm responsabilidade", acredita.

Fonte: Rede Gife (www.gife.org.br/ ), com base em matéria de Rodrigo Zavala.


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