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Congresso dos EUA deve rejeitar cortes de Trump no orçamento para a ciência

Novo projeto de lei aumentaria o financiamento para pesquisa básica em mais de 2%, mas há dúvidas se o governo realmente executará os recursos conforme determinado

Rodrigo Andrade
Pesquisador-bolsista no Ipea
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O Congresso dos Estados Unidos deverá votar nos próximos dias um projeto de lei que rejeita os cortes profundos e sem precedentes no orçamento para a ciência proposto pelo governo do presidente Donald Trump.

Anunciado no último dia 20 de janeiro, a proposta faz parte de um pacote de financiamento bipartidário para diversas agências elaborado pelas comissões de gastos da Câmara e do Senado daquele país.

Se aprovado, o orçamento dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês), principal agência estadunidense de fomento à pesquisa biomédica, aumentaria cerca de 1% em 2026 — em forte contraste com o corte de 37% defendido pela Casa Branca.

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Outra legislação aprovada pelo Congresso em 15 de janeiro também reduz os cortes previstos para a maioria das principais agências de apoio à ciência.

No conjunto, os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) não relacionados à defesa nacional devem cair entre 3% e 7%, bem abaixo da redução de 33% proposta por Trump. Já os investimentos totais em pesquisa básica devem crescer mais de 2%.

A notícia foi recebida com certo alívio pela comunidade científica dos Estados Unidos, que há meses enfrenta incertezas e ameaças de redução de recursos. Ainda assim, pesquisadores e analistas alertam que permanece a dúvida sobre se o governo, de fato, executará os recursos conforme determinado pelo Congresso.

De acordo com o novo projeto de lei proposto, o orçamento do NIH aumentaria em US$ 415 milhões, alcançando US$ 48,7 bilhões em 2026.

Isso inclui um aumento de US$ 128 milhões para pesquisas sobre câncer e de US$ 100 milhões para estudos voltados à doença de Alzheimer, além de aumentos menores para a iniciativa BRAIN (acrônimo em inglês para Brain Research Through Advancing Innovative Neurotechnologies), que busca revolucionar a compreensão do cérebro humano.

A legislação também preserva a estrutura atual do órgão, que conta com 27 institutos e centros. Em maio, Trump havia proposto reduzir o orçamento do NIH para US$ 27,9 bilhões, extinguir quatro institutos e centros, consolidando parte dos demais em apenas oito.

Esse aumento modesto é uma “boa notícia”, afirmou à revista Nature Jeremy Berg, ex-diretor de um dos institutos do NIH e atualmente cientista de dados na Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia. “Poderia ter sido muito pior.” 

Berg ressalta, no entanto, que o reajuste não acompanha a inflação e, na prática, representa uma leve redução do orçamento em termos de poder de compra.

Um dos principais pontos de impasse nas negociações foi o uso, pelo NIH, do chamado financiamento plurianual, no qual os recursos de um projeto são liberados de uma só vez, e não ano a ano. Esse modelo faz com que o mesmo volume de recursos financie menos projetos do que ocorreria com repasses anuais. 

Em 2025, mais de um quarto dos projetos apoiados pelo NIH utilizou esse tipo de financiamento, ante menos de 10% em 2024. Como resultado, o número de propostas contempladas com recursos do NIH ficou 24% abaixo da média dos últimos dez anos.

Os parlamentares têm até 30 de janeiro para concluir a tramitação do orçamento do NIH e de outras leis orçamentárias, evitando o que seria a segunda paralisação parcial do governo em menos de três meses.