Operações de paz foram tema de debate no Rio
Publicado em 03/10/2011 - Última modificação em 22/09/2021 às 03h10
Publicado em 03/10/2011 - Última modificação em 22/09/2021 às 03h10
Operações de paz foram tema de debate no Rio
Especialistas falaram da atual política brasileira e das experiências nas áreas de conflitos
Em seminário realizado, no dia 29, no Rio de Janeiro, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em parceria com Instituto de Relações Internacionais (IRI) da PUC-Rio, reuniu autoridades, pesquisadores e representantes da sociedade civil para debater as operações de paz e a inserção internacional do Brasil. O objetivo foi avaliar os resultados da atual política brasileira nessa área, as lições obtidas e as possibilidades de que experiências internacionais possam ser utilizadas pelo país no futuro.
O primeiro comandante militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), o general-de-exército, Augusto Heleno Ribeiro Pereira, falou da realidade daquele país e da experiência de comandar um efetivo de 6.250 capacetes azuis de 13 países, dos quais sete latino-americanos. Já o ministro Norberto Moretti, do Ministério das Relações Exteriores (MRE), falou da Organização das Nações Unidas (ONU) como um instrumento para criar um ambiente onde as partes encontrem a solução dos conflitos e das suas limitações materiais, políticas e históricas de responder às expectativas.
Eduarda Hamann, representante do Instituto Igarapé, explorou um tema, segundo ela, ainda novo, tanto para as Nações Unidas quanto para o Brasil, que é o uso mais intenso de civis nas operações de paz. Ela também enfatizou que o país presta mais cooperação do que recebe: “Ele já está fisicamente com projetos em países pós-conflitos, mas que não explora isso como vantagem”. Para ilustrar essa afirmação, Hamann citou um estudo do Ipea que mostra o Brasil com um investimento de R$ 2,96 Bilhões em operações internacionais de 2005 a 2009.
Para o técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, Rodrigo Fracalossi de Moraes, o relato do general Heleno foi de muita relevância, porque ele foi o único presente que de fato viveu a realidade de uma operação de paz. Ele também destacou a apresentação do ministro Norberto Moretti, que, dando uma visão distinta do primeiro expoente, ressaltou as dificuldades políticas implícitas na aprovação das resoluções do Conselho de Segurança e na manutenção das missões de paz.
O pesquisador lembrou ainda que tradicionalmente os militares tiveram e continuarão tendo um papel central nas operações de paz, mas que estes não conseguem responder a determinadas necessidades que se apresentam para que os países consigam se sustentar após a saída das tropas, como as relacionadas à saúde, educação, gestão econômica e obras de infraestrutura.
Já no que diz respeito à sua própria apresentação, o pesquisador falou da governança e desgovernança na gestão internacional de conflitos. “Os Estados, de alguma forma, criaram um sistema multilateral voltado à gestão de conflitos, mas não querem abrir mão da possibilidade que têm de influenciar outros países, com objetivos tanto político quanto econômicos, por meio do fornecimento de armas”, disse. Segundo Fracalossi, há uma governança voltada para a gestão de conflitos, mas uma desgovernança quanto ao comércio internacional de armas, que por sua vez acaba colocando em risco alguns dos objetivos da primeira.