Monitor aponta preocupação internacional com inflação

Monitor aponta preocupação internacional com inflação

 

Para a realização da pesquisa, 170 entidades foram consultadas. Lançamento ocorreu na sede do Ipea

Foto: Sidney Murrieta
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O técnico André Pineli apresentou a 3° edição do Monitor Internacional

Apesar de os agentes internacionais continuarem com uma percepção positiva em relação ao Brasil nos índices temáticos (economia; política, sociedade, governo e instituições), eles mostraram preocupação com a inflação e com a perda de competitividade decorrente da taxa de câmbio valorizada. Esse é um dos resultados da terceira edição do Monitor da Percepção Internacional do Brasil (MPI-BR), divulgado nesta segunda-feira, dia 21, no auditório da sede do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília.

Para a pesquisa, foram consultados 170 agentes internacionais com atuação no Brasil, entre embaixadas e consulados, câmaras de comércio, organizações internacionais e empresas com controle estrangeiro, no período de 7 até 22 de fevereiro de 2011. Em relação ao crescimento do PIB nos próximos 12 meses, houve uma convergência de expectativas: 83% dos respondentes esperam crescimento entre 3,6% e 6%, e nenhum espera crescimento acima de 6%.

Sobre a inflação nos próximos 12 meses, 52% dos respondentes esperam que ela fique próxima a 5,5%, acima da meta determinada pelo Conselho Monetário Nacional (4,5%). O técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea André Pineli explicou que os resultados refletem a desaceleração do crescimento econômico e a tendência do aumento da inflação na percepção dos agentes internacionais.

Quanto ao nível de violência, quase ¼ dos respondentes (24%) acreditam que a violência diminuiu no Brasil. Para 45% dos agentes, o nível de violência não se alterou, e para 31% aumentou. Na pesquisa anterior, de outubro de 2010, apenas 3% afirmaram que a violência tinha diminuído.

O Monitor apontou também uma diminuição da percepção de influência do Brasil nos últimos 12 meses em organismos multilaterais (de + 38 em outubro de 2010 para +14, em fevereiro de 2011) e na América Latina (de + 36 em outubro de 2010 para +16 em fevereiro de 2011). “Isso não quer dizer que o Brasil se tornou menos influente, pois o resultado é uma percepção dos agentes e, como percepção, é volátil”, explicou Pineli. Ele acrescentou que os conflitos no norte da África estão no centro da política internacional, e o Brasil não está mais nos holofotes internacionais como antes.

Taxa de câmbio e contas externas
Esta edição contou ainda com uma enquete suplementar relacionada à taxa de câmbio e às contas externas do país. Para 38% dos agentes, o governo tem demorado a intervir, apesar das medidas tomadas terem sido corretas e suficientes para deter a excessiva valorização do real. Para outros 21%, que também consideram que o governo tem sido lento, as medidas até agora implementadas foram insuficientes para sustar a excessiva valorização do real. Em sentido oposto, 41% dos respondentes avaliam que o governo tem agido no tempo certo, embora três quartos destes acreditem que sejam insuficientes as medidas anunciadas até o momento para evitar uma apreciação demasiada da taxa de câmbio.

Quase 70% dos agentes concordaram que está em curso uma “guerra cambial”, com vários países manipulando sua taxa de câmbio de forma a estimular suas economias e tornarem-se mais competitivos. E 86% afirmaram que a manipulação da taxa de câmbio, caso claramente evidenciada, deve ser objeto de queixas formais à Organização Mundial do Comércio (OMC) por parte dos países que se julgam prejudicados por esta prática.

Metodologia
O MPI-BR tem como objetivo ser uma pesquisa qualitativa sintética capaz de captar a evolução da avaliação de entidades internacionais com atuação ou representação no Brasil acerca das realidades econômica, social, política e institucional do país.

O universo dos respondentes é composto por representações de governos — por meio de suas embaixadas ou consulados —, câmaras de comércio, empresas com controle estrangeiro e organizações multilaterais. O Monitor é calculado trimestralmente, com base em um questionário preenchido eletronicamente pelos respondentes cadastrados.

Leia a íntegra do Monitor Internacional

Veja a apresentação