O CONSELHO DE ESTABILIDADE FINANCEIRA (FSB)
PARADIGMA DA EMERGENTE ORDEM MUNDIAL EM REDE
Resumo
O Conselho de Estabilidade Financeira (Financial Stability Board – FSB), pouco após sua criação pelo G20, em 2009, foi rotulado de “quarto pilar” da ordem internacional, ao lado de OMC, FMI e Banco Mundial. No entanto, sua estrutura difere daquela dos três outros organismos: entre os membros desse novo órgão, destacam-se diversas redes transnacionais, razão pela qual o FSB se autointitula “a rede das redes”. A origem da configuração do FSB pode ser traçada aos escritos de David Mitrany, que teorizou sobre a progressiva expansão de uma rede de agências especializadas, processo cujo desenlace seria a formação de um governo mundial, conforme sua previsão. As teorias de Mitrany, idealizadas a partir de 1940 e reelaboradas por Council on Foreign Relations e Trilateral Commission desde 1970, preveem com décadas de antecedência e com alarmante precisão a atual estrutura do G20/FSB. A instauração dessa “governança global” tem sido liderada pelos Estados Unidos e por membros daqueles “think tanks”, os quais vêm ocupando posições-chave nas administrações Clinton, Bush e Obama. As evidências a serem exploradas no presente artigo apontam para a possibilidade de o seguinte cenário vir a concretizar-se: os Estados Unidos desmantelarão a antiga ordem fundada naquelas três “instituições internacionais”, visando à introdução de uma ordem protagonizada por redes transnacionais; e o FSB, “a rede das redes”, situada no centro do sistema financeiro global, será o paradigma a ser utilizado na construção dessa emergente ordem em rede.
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