Os resultados parciais da Pesquisa Ação Social das Empresas que o IPEA realiza, pela segunda vez, na região Centro-Oeste, indicam um crescimento de 11 pontos percentuais na proporção de empresas que atuaram na área social entre os anos de 2000 e 2004. Neste período, o percentual de empresas que declarou ter realizado algum tipo de ação social para a comunidade passou de 50% para 62%, o que corresponde a um total de quase 49 mil empresas da região.
O destaque ficou por conta das grandes empresas (mais de 500 empregados), que registraram um aumento de 44 pontos percentuais, em relação à primeira edição do levantamento: de 53% de empresas atuantes em 2000, chegou-se a 97%, em 2004. De acordo com a diretora de Estudos Sociais do IPEA e coordenadora-geral da Pesquisa, Anna Maria Peliano, com esse incremento na participação o comportamento das maiores empresas do Centro-Oeste se assemelha ao das grandes empresas das demais regiões do País, cujos percentuais de atuação oscilaram entre 94%, no Nordeste, e 99%, no Norte.
No mesmo período, a participação das organizações de menor porte (1 a 10 empregados) cresceu 12 pontos percentuais, alcançando um patamar de 60% das empresas envolvidas em algum tipo de ação social comunitária em 2004, contra 48%, em 2000. Apesar de terem apresentado um crescimento proporcionalmente menor ao das grandes empresas, foram as microempresas que determinaram o aumento da atuação social da região, uma vez que representam cerca de 70% do universo empresarial do Centro-Oeste.
Na comparação entre estados, a liderança é de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde 72% das empresas declararam realizar algum tipo de apoio à comunidade, o que representa um aumento de 20 pontos percentuais em relação à edição anterior do estudo. Distrito Federal e Goiás apresentaram níveis de atuação semelhantes: 56% e 54%, sendo que o crescimento no período analisado foi de 9 e 4 pontos, respectivamente.
O levantamento aponta ainda que as empresas agrícolas continuam se destacando: quase todas as empresas do setor (97%) declararam atuar para as comunidades. No entanto, ainda que apresentando um percentual mais baixo de atuação (73% das empresas, em 2004), foi o setor industrial o que mais cresceu na região, com um aumento de 30 pontos percentuais na proporção de empresas atuantes na área social, que era de apenas 43%, em 2000. "O crescimento na proporção de empresas industriais envolvidas em ações voluntárias para as comunidades é um dos destaques da região, tendo em vista que esse era o setor que, proporcionalmente, menos se envolvia na área em 2000", destaca a coordenadora geral do levantamento. Na região, o único destaque negativo ficou por conta das empresas da construção civil, que apresentaram um decréscimo de 16 pontos, passando de uma proporção de 39% das empresas com atuação no campo social em 2000, para 23%, em 2004.
Uma das novidades desta segunda edição da pesquisa foi o levantamento de ações sociais voltadas especificamente para o combate à fome. Os resultados apontam que 20% do total de empresas da região que realizaram algum tipo de ação social, em 2004, envolveram-se em mutirões, campanhas ou programas governamentais e não governamentais. "São cerca de 10 mil empresas que atuaram fazendo doações com a finalidade expressa de combater a fome no país. Nesse caso, porém, observamos que há diferenças no nível de atuação segundo o estado em que se encontram, o porte e o setor de atividade econômica", diz Luana Pinheiro, coordenadora adjunta do levantamento. Destacam-se, no combate à fome, as empresas do setor agrícola (65%), as de pequeno porte (28%) e as do estado de Goiás (23%). No conjunto, a quase totalidade das empresas atuou doando alimentos (98%).
Na região Centro Oeste, 39% das empresas declarou não realizar qualquer ação social para a comunidade. Para cerca de 66% dessas empresas, a falta de dinheiro é o principal motivo que dificulta ou impede o desenvolvimento de ações sociais comunitárias. Uma parcela bem menor reclama da ausência de incentivos governamentais (9%). Também é pequena a proporção de empresas que não atua porque nunca pensou nessa possibilidade (6%) ou porque acredita que este não seja seu papel (7%). "Vê-se que, mesmo entre as empresas que nada fazem para fora de seus muros, há um conhecimento generalizado sobre a possibilidade de atuação no campo social. E isso é muito positivo", avalia Anna Peliano. |