Em seminário, presidenta do Ipea discute respostas à crise

Em seminário, presidenta do Ipea discute respostas à crise

 

Em evento internacional na Unicamp, Vanessa Petrelli Corrêa falou sobre a situação dos países periféricos

Em sua participação no seminário internacional A crise mundial e os desafios de um novo padrão de desenvolvimento, a presidenta do Ipea, Vanessa Petrelli Corrêa, afirmou que as exportações crescentes e o movimento de liquidez internacional têm impacto direto sobre os países periféricos, e o Brasil não é exceção. “Nos últimos anos, dada essa dinâmica do capitalismo mundial, especialmente da ascensão das exportações e do efeito China, os países periféricos vêm apresentando uma taxa de crescimento maior que a dos países centrais. Isso ficou muito claro na crise de 2008”, explicou Corrêa na noite desta quarta-feira, 27.

O evento continua nesta quinta-feira e ocorre no Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A presidenta do Ipea participou do primeiro painel, intitulado A crise, suas origens e as respostas de política econômica (EUA, China, Europa, América Latina e Brasil). “É possível ver esse movimento de crescimento puxado pelas exportações e isso, sem dúvida, tem um impacto importante sobre a economia nacional”, continuou Corrêa, destacando o aumento de arrecadação.

Ela também chamou a atenção para o fato de que o aumento das receitas públicas trouxe uma mudança estrutural para o país, especialmente depois de 2004. E que isso, juntamente com toda a estrutura social organizada pela Constituição de 1988 e pela implantação de uma série de programas públicos de políticas sociais, ligada ao aumento do salário mínimo, gerou um processo de distribuição de renda maior e mais emprego.

As considerações da presidenta do Ipea foram feitas com base na palestra de Jan Kregel, do Levy Economistics Institute (Nova York), que definiu a crise atual não como um como elemento único de crise financeira momentânea, mas como uma retomada da problemática do crescimento desde a década de 1950. Referindo-se ao Brasil, o economista disse que o país tem vantagem dada a estrutura existente e que seu papel é apoiar o desenvolvimento, proporcionando uma expansão equilibrada baseada na indústria, recursos naturais e agricultura. Segundo ele, o Brasil está especialmente bem colocado para implementar uma estratégia de transição viável, sem renovar a pressão sobre os saldos fiscais e externos. “Um novo sistema monetário internacional ou regional será necessário para apoiar esta transição”, defendeu.

Organizado pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), em parceria com o Instituto de Economia da Unicamp, o seminário reuniu especialistas para discutir a crise mundial, seus desdobramentos e os possíveis reflexos para o Brasil. O evento integra o conjunto de ações previstas para subsidiar a concepção e a implantação do Centro de Altos Estudos para o Brasil Século XXI. Ainda fizeram parte do debate os professores do Instituto de Economia da Unicamp Ricardo Carneiro e Antonio Carlos Macedo.